"Chega, chega. Pra que isso? Se ele estiver com alguém agora, e daí? Ele e eu não temos nada a ver, certo? Porque era bom e tal. Aliás, meu Deus, como era bom. Mas não era bom pra ficar junto, certo? Então pronto. Chega. Adulta, adulta…"
Tati Bernadi.   (via amargar)

(Source: sibilar, via coeur-froid)

19560
"Nunca fui a maior fã da cor cinza. Desde bem pequena, adorei a tristeza do preto e deixei o branco queimar meus olhos. Mas cinza nunca foi minha cor favorita. É bem verdade que não vivi expressando minha raiva por ela, mas, se você me perguntar, eu digo que odeio o que ela representa: a união de luz e escuridão. Presença e ausência. Tudo e nada. A cor cinza não deveria existir nesse mundo, se você parar para pensar a respeito. Duas pontas opostas não se tocam. Duas linhas paralelas não se encostam. O sol e a lua vão eternamente fugir um do outro.
Então, por que diabos cinza existe?
Lá pelos meus dez anos de idade, cansei de toda essa bobagem de dias cinzentos e casacos cinza e todas as tiaras cinza que uma tia minha insistia em comprar para me dar de presente, como se fosse minha cor favorita. Por isso, peguei uma das tiaras e joguei no chão no momento em que essa tia saiu da minha casa, totalmente frustrada com o presente inútil. Minha mãe franziu o cenho e, com dez anos, eu já sabia o suficiente das pessoas para entender que estava encrencada. Comecei a gritar como tudo isso não fazia sentido. Que cinza era uma cor horrível e que preto e branco apenas não combinam, e nunca iriam combinar, independente do quanto as pessoas tentassem fazer com que eu engolisse essa anormalidade das cores. Minha mãe começou a rir, como se eu tivesse contado a piada mais engraçada que ela já ouvira. E aí ela disse a pior frase do universo. A pior coisa para se ensinar a uma filha.
Sabe o que ela disse?
Talvez o preto e o branco tenham se apaixonado. Talvez não tenham conseguido evitar.
Sei que eu nunca consegui. Não quando o assunto é você.
Pensando em retrospectiva, admito que eu deveria ter percebido mais cedo o que eu estava sentindo por você. Já fui toda sorrisos e brincadeiras, e você tinha essa cara emburrada de quem tinha acabado de sair da cama apesar de ser cinco e meia da tarde. Não odiei você de cara nem nada, mas torci o nariz para aquela minha amiga que estava com você na época e não calava a boca sobre como você era maravilhoso – você era horrível com ela – e que, definitivamente, ela tinha encontrado o homem certo. Não me considero nenhuma expert em romance ou algo assim, mas era bem óbvio que você não estava cantando aos quatro ventos que tinha encontrado a mulher da sua vida.
Na verdade, a nossa primeira interação foi você me olhando da unha do pé até meu último fio de cabelo, fazendo com que minha cara ficasse mais vermelha que o cabelo ruivo dessa minha amiga. E você percebeu – é claro que percebeu. E começou a rir como se deixar uma garota envergonhada fosse sua missão de vida e eu quis atirar meu refrigerante em você. O que, para relembrar, eu eventualmente fiz, mas em outra ocasião completamente diferente. E você mereceu. Você sabe que mereceu.
Não lembro muito bem o que você falou. Alguma bobagem sobre como você não sabia que ela tinha amigas tão bonitas e esse tipo de merda. Aquela foi a primeira e única vez que você me tratou como trata todas as outras garotas. Depois disso, todas as outras vezes que a gente se encontrou você agiu como se eu fosse, surpreendentemente, um ser humano que merece ser olhado nos olhos, não nos peitos. Achei que você apenas não estivesse interessado, para ser sincera. Que era assim que você tratava as garotas quando não queria nada com elas.
Mas eu estava errada. Meu Deus, eu estava totalmente errada.
“Porra, Anna! Você não pode estar falando sério.” Você gritou, apesar de não ter nenhum barulho na nossa volta. A gente sempre acabava se encontrando nessas festas – tudo bem, não era assim tão casual. Eu sempre procurava saber onde você estaria. Eu estava interessada. E gostava de você. Viu? Fazia pouco mais de alguns meses e eu já gostava de você. – e acabávamos sentando em um canto para conversar.
Eu já deveria saber, só por isso. Você não ficava catando a saia mais curta quando eu estava por perto. Você não desviava o olhar de mim quando alguma loira vagabunda ficava perto de nós e ria alto demais para chamar sua atenção. Mas eu nunca tinha estado apaixonada. Eu não sabia qual era a sensação.
Eu não sabia que essa era exatamente a sensação.
“É totalmente sério”, eu respondi, me controlando ao máximo para não rir da sua cara de decepção.
“Considerando como você é bonita, eu não deveria me surpreender. Mas você é inteligente demais para gostar de uma coisa tão tosca quanto comédias românticas”, exclamou, balançando a cabeça, como se essa fosse a maior ofensa do universo. E eu ignorei a parte em que você disse que eu era bonita. Você só tinha dito isso uma vez, naquela noite em que nos conhecemos, e eu nunca pensei que você fosse repetir porque achei que tivesse sido da boca para fora. Achei que você não pensasse em mim dessa maneira.
Mas eu pensava. Meu Deus, eu pensava nisso o tempo todo. Não que eu adorasse admitir para mim mesma, porém, não conseguia tirar da cabeça esses seus olhos escuros e seus ombros largos. Não conseguia deixar de ouvir sua risada quando o mundo estava em silêncio. Bem que eu queria. Bem que eu tentei.
Nunca deu certo.
Talvez não tenham conseguido evitar.
“É mesmo? E o que você esperava? Ficção científica e filmes com muito sangue?” perguntei, torcendo o nariz.
“Algo tipo isso. E terror. Você tem cara de quem gosta de filmes de terror”
“Eu odeio filmes de terror. Não vou perder duas horas da minha vida para ficar assustada!” disse, com os olhos arregalados por você ter errado tão feio.
“Ah, sim. E, em vez disso, prefere ficar duas horas assistindo a romances totalmente irreais. Isso faz total sentido”.
“Nessa última semana, nenhuma garota saiu rastejando da minha televisão”, respondi, com o máximo de sarcasmo que pude reunir. “Você sabe que vai perder no final, Henrique. Todo mundo gosta, pelo menos um pouquinho, de comédias românticas. Elas são engraçadas e fazem com que a pessoa saia com o coração leve. É uma sensação boa, mesmo para um homem de lata como você”, ataquei, procurando não sentir meu próprio coração – que nunca foi feito de metal – saindo do peito por mencionar a palavra coração e românticas na mesma frase. Sei que não é nada demais, mas eu preferia não ter que discutir essas coisas com você. Preferia não complicar nada.
Mas a gente já tinha complicado tudo, não é?
Você fixou os olhos nos meus e suspirou, fingindo uma decepção que só me fez rir ainda mais. Eu gargalhei alto, mas você sequer abriu um sorriso. Apenas continuou me encarando com seus terríveis olhos do tamanho do infinito, como se não conseguisse entender o que estava acontecendo. Sei que eu definitivamente não entendia.
Parte de mim queria parar de rir, com medo de parecer completamente retardada e você pensar que estava dando em cima de você com a técnica ria-de-tudo-que-ele-disser-e-fizer. Mas… Eu não me sentia assim. Algo em você, desde o início, fez com que eu me sentisse livre; e, por isso, eu não me importava. Não ligava se o resto da festa olhasse para nós e pensasse que eu estava dando mole para você. Não ligava se você pensasse que eu estava dando mole para você. Para mim, você sempre foi uma das pessoas mais engraçadas do universo. Mesmo que não esteja me fazendo rir tanto assim nos últimos tempos.
“Você tem medo de monstros debaixo da sua cama, Anna?”, perguntou, com a mesma expressão séria que me fez ficar meio na dúvida se você queria uma resposta sincera ou estava só brincando. Mas seus olhos não desviaram dos meus. E eu comecei a tremer. Comecei a tremer violentamente e não sabia como esconder esse fato de você.
Eu sempre tive medo de monstros. Dos debaixo da minha cama. Dos de dentro do espelho. Dos que me perseguiam enquanto eu caminhava pela rua. Dos que sempre viveram dentro de mim.
E, naquele momento, eu também tive medo de você. Eu tive pavor de você.
“Você tem, Henrique?”, eu desafiei. Sabendo estava apenas fugindo da pergunta. Sabendo que você provavelmente apenas desviaria o olhar e fingiria que nada aconteceu. Sabendo que esse nó no meu estômago precisava desaparecer o quanto antes. Porque isso não podia acontecer. Eu e você – não era certo, não era possível e nunca aconteceria.
Eu era o branco. Você era o preto.
E eu sempre odiei cinza.
Mas você não desviou o olhar.
Não fingiu que não tinha nada acontecendo.
E o nó do meu estômago não sumiu. Ele apenas continuou. E ainda continua aqui.
“Não. Eu acho que qualquer criatura que precise esperar até a noite para atacar, não merece meu medo.”, você respondeu, finalmente erguendo o canto esquerdo da boca. “Meu problema atual são os monstros bonitos que insistem em me encarar como se não estivessem fazendo nada de errado”
Eu estava encarando você. Eu estava encarando você como nunca tive coragem de fazer. Estava inspecionando seu rosto e procurando por algo que fizesse com que essa ânsia de passar o dedo pela sua cicatriz no queixo passasse. Algo que me fizesse perceber que isso era só uma brincadeira, que você estava brincando comigo e não queria de verdade roçar sua mão na minha.
Mas você se enganou. Eu sabia que era errado. Eu tinha certeza absoluta de que era errado.
Só não consegui evitar.
Assim como eu acho que você não conseguiu evitar trazer seus lábios até os meus e me fazer perder o ar. E eu queria dizer que foi um beijo puramente feito de atração, mas foi gentil demais para que eu pudesse mentir. Você tocou meu rosto como se eu fosse a coisa mais delicada e bonita que já tivesse existido no mundo e eu quis morrer naquele instante. Quis morrer porque eu finalmente tinha entendido um monte de coisas sobre o mundo que antes não faziam o menor sentido.
Não se deve brincar com fogo.
Agora, meu corpo inteiro está queimando.
Faz anos desde que esse beijo aconteceu, porém, eu continuo sem ar. Estou morrendo sufocada com a avalanche de memórias que insistem em tomar conta da minha mente. Preciso de ajuda.
Continuo olhando para os lados, mas não enxergo você. Continuo gritando pela sacada, mas você não aparece. Faz dois meses que não tenho notícias suas e eu estou apavorada. Só consigo pensar em onde você pode estar e com quem você está e em como eu gostaria de poder me desculpar. Não fui nada legal com você. Eu sinto tanto. Tanto. Tanto.
Você sempre foi a minha pessoa favorita no mundo inteiro. É óbvio que me apaixonei por você. É óbvio que ainda sou apaixonada por você. Sei que disse o contrário, mas eu menti. Menti muito e fui estúpida e você precisa me perdoar, Henrique.
Por favor.
Por favor.
Apareça, Henrique. Volta pra mim.
Volta pra casa."
Não consegui evitar nosso fim. - Ana F. (via salt-waterroom)

(via coeur-froid)

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"Vontade de te esmurrar, te dizer que você é um idiota, um babaca, um cretino, um fraco, nunca passou disso. Nunca uma piada sua foi engraçada, nunca você me surpreendeu. Nunca. Mas eu não consigo deixar de pensar em você, a cada dia, a cada ato meu."
Tati Bernardi. (via verbismo)

(via coeur-froid)

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"Já tive outros e já amei outros. Já sofri por eles e já quase te esqueci graças à eles também. Mas depois que acaba, no fim, ou no intervalo de um para o outro, quando só me sobra eu mesma e minha confusão, meus sentimentos me encaram e me confrontam, e eu só vejo você. Só tem você ao meu redor no sábado de noite terminando com alguém. Tem você quando eu me fecho e não deixo ninguém entrar na minha vida, porque morro de medo e é sua culpa. Você na forma como eu escrevo, na música do Leoni, no texto da coca-cola. Cada parte do que eu sou… Ainda é você. Mil anos e alguns caras depois e ainda é você."
Iolanda Valentim.  (via pronuncio)

(Source: ivalentim, via pronuncio)

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"O segredo era manter quatro paredes ao redor da gente. Dentro de quatro paredes, tinha-se uma chance. Uma vez que se está na rua, já não há chance alguma, está tudo perdido, tudo realmente perdido."
Charles Bukowski,  Ao Sul de Lugar Nenhum (via oxigenio-dapalavra)

(Source: racionador, via coeur-froid)

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